Valderez Nepomuceno

Consciência estética do cotidiano - poesia e prosa

1.2.09

Poema 15 / 21 - Constâncio Negaro

 

no sacrário
foi onde conheci o sexo
pela primeira vez
dos lábios de um coroinha
que ao expor a língua
para receber a hóstia
aceitou meu
falo

 

 

 

 

SACRAMENTO

 

criado por meiotom.ops    11:43 — Arquivado em: poesia

Poema 15 / 21 - Valderez Nepomuceno

 

 
já fiz minha parte
preocupar-me com filhos e cozinhar
aguardar
um homem empesteado e gangrenoso
obrigada
a por a mesa e abrir as pernas
agora resta-me um tempo…
criado por meiotom.ops    11:38 — Arquivado em: poesia

17.1.09

Poema 14 / 21 - Valderez Nepomuceno

O TÚMULO

nenhuma visita
ao lugar onde o corpo putrefato
a luz e o som externo
adentraram as portas e as janelas
aquela morte
havia arejado nossa casa
passamos a viver como uma família

criado por meiotom.ops    15:32 — Arquivado em: poesia

Poema 14 / 21 - Constâncio Negaro

 

CÚMPLICES
quanto mais mergulho em orações
maior a possibilidade de eu gozar ao ofertar a hóstia
basta o crente me olhar ao modo dos cúmplices
então eu gozo!
vinho e hóstia elevados ao Senhor
criado por meiotom.ops    15:25 — Arquivado em: poesia

10.1.09

Poema 13 - 21 / Valderez Nepomuceno

CADAVÉRICO

um dia
encontrei-o frio como gelo
cadavérico
mas o martírio durou anos
convivia
com seu fantasma em cada fresta
um morto voyeur
que trazia o cheiro de vodka
até no gozo solitário de uma viúva
(viúva e receosa
que o homem ressuscitasse)

criado por meiotom.ops    15:09 — Arquivado em: poesia

Poema 13 - 21 / Constâncio Negaro

 

SONHAR
jejuo
rejeito qualquer idéia de purgatório
faço votos
afasto de minha mente o falo e o sêmen
é a faca
quem dirige todos os meus atos
mas o sonho…
o que fazer
com o sonho Senhor!
criado por meiotom.ops    15:03 — Arquivado em: poesia

3.1.09

Poema 12 - 21 / Constâncio Negaro

ANIMAL

para fazer respeitar o celibato
há de se castrar a alma, não o falo
e se não há alma
não passaremos de animais selvagens
a gozar o mundo
como o mundo deve ser gozado…
livre de qualquer Deus
criado por meiotom.ops    11:40 — Arquivado em: poesia

Poema 12 - 21 / Valderez Nepomuceno

A CHAGA

nos derradeiros
de uma pancreatite hemorrágica
cumpri o dever
de fêmea dedicada e servil
e ele morreu
sem saber – tamanho meu fingimento -
do prazer daquela morte
do sorriso obliquado em meu poema
 

criado por meiotom.ops    11:30 — Arquivado em: poesia

27.12.08

Poema 11 - 21 / Constâncio Negaro

FÉ

intróito
jaculatória
ladainha
secreta
súplica
encaixe

Deus!
falamos mesmo do sacro
ou a fé não passa de uma metáfora?

criado por meiotom.ops    18:01 — Arquivado em: poesia

Poema 11 - 21 / Valderez Nepomuceno

EXPERIÊNCIA

um dia
o ombro de uma mulher me acolheu
e odiei aquele homem
que me usava como lixeira para seus espermas

pena ter demorado tanto
para conhecer o verdadeiro orgasmo…

 

criado por meiotom.ops    17:59 — Arquivado em: poesia

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