1.2.09
Poema 15 / 21 - Constâncio Negaro
no sacrário
foi onde conheci o sexo pela primeira vez
dos lábios de um coroinha
que ao expor a língua para receber a hóstia
aceitou meu falo
SACRAMENTO
no sacrário
foi onde conheci o sexo pela primeira vez
dos lábios de um coroinha
que ao expor a língua para receber a hóstia
aceitou meu falo
SACRAMENTO
nenhuma visita
ao lugar onde o corpo putrefato
a luz e o som externo
adentraram as portas e as janelas
aquela morte
havia arejado nossa casa
passamos a viver como uma família
um dia
encontrei-o frio como gelo
cadavérico
mas o martírio durou anos
convivia
com seu fantasma em cada fresta
um morto voyeur
que trazia o cheiro de vodka
até no gozo solitário de uma viúva
(viúva e receosa
que o homem ressuscitasse)
ANIMAL
nos derradeiros
de uma pancreatite hemorrágica
cumpri o dever
de fêmea dedicada e servil
e ele morreu
sem saber – tamanho meu fingimento -
do prazer daquela morte
do sorriso obliquado em meu poema
intróito
jaculatória
ladainha
secreta
súplica
encaixe…
Deus!
falamos mesmo do sacro
ou a fé não passa de uma metáfora?
um dia
o ombro de uma mulher me acolheu
e odiei aquele homem
que me usava como lixeira para seus espermas
pena ter demorado tanto
para conhecer o verdadeiro orgasmo…
Â