17.1.09
Poema 14 / 21 - Valderez Nepomuceno
nenhuma visita
ao lugar onde o corpo putrefato
a luz e o som externo
adentraram as portas e as janelas
aquela morte
havia arejado nossa casa
passamos a viver como uma família
nenhuma visita
ao lugar onde o corpo putrefato
a luz e o som externo
adentraram as portas e as janelas
aquela morte
havia arejado nossa casa
passamos a viver como uma família
um dia
encontrei-o frio como gelo
cadavérico
mas o martírio durou anos
convivia
com seu fantasma em cada fresta
um morto voyeur
que trazia o cheiro de vodka
até no gozo solitário de uma viúva
(viúva e receosa
que o homem ressuscitasse)
ANIMAL
nos derradeiros
de uma pancreatite hemorrágica
cumpri o dever
de fêmea dedicada e servil
e ele morreu
sem saber – tamanho meu fingimento -
do prazer daquela morte
do sorriso obliquado em meu poema