27.12.08
Poema 11 - 21 / Constâncio Negaro
intróito
jaculatória
ladainha
secreta
súplica
encaixe…
Deus!
falamos mesmo do sacro
ou a fé não passa de uma metáfora?
intróito
jaculatória
ladainha
secreta
súplica
encaixe…
Deus!
falamos mesmo do sacro
ou a fé não passa de uma metáfora?
um dia
o ombro de uma mulher me acolheu
e odiei aquele homem
que me usava como lixeira para seus espermas
pena ter demorado tanto
para conhecer o verdadeiro orgasmo…
Â
A APATIA
haveria de acontecer
—  mais dia, menos dia —
o cheiro de perfume vagabundo no corpo
e a calcinha de rendas no bolso
: passei a viver sem permitir nada dentro de mim
COTIDIANO
nem bem
fechava a porta
mostrava o pau suado
odor de pinga
- estou com fome de carne, dizia –
longe de mim
qualquer desejo ou prazer
: trepava por ofÃcio
(de mulher casada)
SANTO
nada
me excita mais
que o olhar das pessoas dirigidos até mim
ser visto como um santo
ser esse sujeito que pode levitar até Deus…Â
como me excita!
como me assusta…
Â
Â
Â
Â
Â
Â

PRAZER II
fingir?
coisa de poeta…
a vida
corria fria como mármore
a carência
fervendo o sexo nunca dormente
nos conhecemos na praia
nem o nome trocamos
gozei
como nunca experimentara em casa
e ri
: o riso heróico dos descobridores
(da experiência
trago uma tatuagem no corpo)

GOZO
na cela
tudo me excita
o brilho
e as curvas dos imóveis
a maciez
do travesseiro e do colchão
o ruído da água
escorrendo pela torneira
o branco nácar dos tecidos
o silêncio…
Deus!
: o silêncio me leva ao gozo…