29.11.08
Poema 7 - 21 / Valderez Nepomuceno

BANHO
trepar na banheira
era um desejo quase infantil
mas não daquele jeito…
: com o vômito
cheio de álcool e restos alimentares
do homem que já não amava

BANHO
trepar na banheira
era um desejo quase infantil
mas não daquele jeito…
: com o vômito
cheio de álcool e restos alimentares
do homem que já não amava
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MADRUGADAS
ordenar-se
conferir o sacramento
masturbar-se
retirar do corpo o sêmen
: orações e sêmen
habitam madrugadas sacras

O DESPIR-SE DEPOIS DA MISSA
depois de dobrados
– lentamente –
beija-se os atributos
: a casula, a estola, o manípulo, a alva…
do corpo nu
vê-se apenas a sombra na parede…

SALA II
aquele abraço
com cheiro de rabo-de-galo
o aperto por trás
o olhar preso na novela
: histórias que me faziam sorrir - e chorar

COZINHA
sentada na pia
com as pernas abertas ao falo
gozei as umidades
que devem vazar da mulher no orgasmo
depois
sem juras que não poderia cumprir
servi um quindim
ao homem que lambeu o doce
como há pouco lambera meu sexo
- e partira, sem deixar culpas

ANJOS
à noite
cada um entra em sua cela
túmulo de gestos obscenos e ejaculações noturnas
cedo
junto ao ar morno do sexo reprimido que vaza pelas frestas
das portas
anjos saem soerguidos como os amantes de um quarto
de motel
e atravessam o longo e frio corredor com trajes negros
e femininos – cruz no peito
seguem na direção do confessionário

Foto Thierry Tillier
FODA
e o pênis
a roçar minha vagina
como lixa
a plantar filhos no ventre
como se a mulher
fosse uma fábrica de bonecas
( eliminei um a um
sem que o homem notasse a dor)

SONS
sexta-feira
é dia de coral
eu nos sons que vêm da rua
mas a musicalidade
que sai de minha boca é sacra
e mistura-se ao hálito de homens
que se acreditam anjos