Valderez Nepomuceno

Consciência estética do cotidiano - poesia e prosa

1.4.09

Poema 20 / 21 - Constâncio Negaro

 

JOGO
quando garoto
a igreja me atraía com pequenos cartões
e que me permitiam
jogar bola com uniforme de meu time de futebol
no campo pertencente à igreja
mais tarde
descobri que esperançavam me fazer crer na existência
de algum Deus

acredito que eles não marcaram nenhum gol…

criado por meiotom.ops    19:55 — Arquivado em: poesia

20 / 21 - Valderez Nepomuceno

 

AOS VINDOUROS
que no futuro
a mulher acredite absurdo o que escrevo
e não façam de meus poemas
um livro de receitas para os fins de semana
que no futuro
a mulher não finja o gozo
que o fingimento na vida é muito pior
que no poema

criado por meiotom.ops    19:51 — Arquivado em: poesia

Poema 19 / 21 - Constâncio Negaro

 

MUNDANO
a hóstia
e o cálice elevados
diante dos fiéis
que pregados no branco e no ouro
dos trajes do bispo
pensam na riqueza mundana que os aguarda
depois da missa
criado por meiotom.ops    19:49 — Arquivado em: poesia

19 / 21 - Valderez Nepomuceno

A MORTE

no devir a morte
melhor a leveza do gozo
mas não há medo
apenas o silêncio absoluto me incomoda
como nas noites frias de inverno
quando as estrelas abrem os olhos
à procura de mortos.

 

criado por meiotom.ops    19:46 — Arquivado em: poesia

15.3.09

Poema 18 / 21 - Constâncio Negaro

 

GRITOS
noite calada
não se houve um sussurro
mas sente-se
os gritos das questões reprimidas
nas vísceras
e que logo cedo
se transformarão em orações
criado por meiotom.ops    12:36 — Arquivado em: poesia

18 / 21 - Valderez Nepomuceno

TÚMULO

a morte
deve me trazer o que sinto após o coito
aquela leveza e profundidade tão própria do azul
e o silêncio das manhãs outonais
quando o orvalho é o único ruído a provocar

criado por meiotom.ops    12:32 — Arquivado em: poesia

22.2.09

Poema 17 / 21 - Valderez Nepomuceno

DEVIR

performace
de avó é curtir os vértices
os netos
correndo pelos corredores e jardim
deliciando-se
com os doces e melados feitos por ela
que assim é o gozo de avó
inocente como os lábios e a língua
dos netos lambendo o doce escorrendo nos cantos
dos lábios

 

criado por meiotom.ops    10:52 — Arquivado em: poesia

Poema 17 / 21 - Constâncio Negaro

 

A FIEL
a conheci
ao encomendar o corpo da mãe
mulher de fé arraigada
fiel aos costumes da igreja católica
mas muito despojada no modo de dizer
depois de alguns meses visitando a enlutada
veio ela com esta
: se me deseja
vou logo esclarecendo que vai ter que comer o cu
que a seu Deus prometi morrer virgem
e o prometido será cumprido
criado por meiotom.ops    10:46 — Arquivado em: poesia

8.2.09

Poema 16 / 21 - Constâncio Negaro

AMOR

que me perdoe Deus
mas não são todos os dias iguais
e não sendo iguais os dias
como pode um humano repetir-se?
que me perdoe Deus
se um dia professo a fé e rezo missa
e no outro visito Madalena
– e não se trata aqui de chocá-lo com o nome –
mas é de nome Madalena
o jovem que ouvi semanas no confessionário
e que passei a amar

criado por meiotom.ops    18:50 — Arquivado em: poesia

Poema 16 / 21 - Valderez Nepomuceno

RECOMEÇO

homem
apenas para prazer do corpo
sem vínculos
depois sou avó e caseira
não repito nunca com o mesmo homem
não quero correr riscos
de cair em outra armadilha

criado por meiotom.ops    18:40 — Arquivado em: poesia

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